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Artigo 26 - Contribuições do Psicólogo para o Desempenho no Esporte

Por: Cristiana Tieppo Scala - Psicóloga do Esporte (USP).

A psicologia comportamental tem como objetivo melhorar o repertório do cliente, aumentando sua discriminação do ambiente, para que ele tenha mais condições de prever e controlar seu comportamento.

Na psicologia do esporte, não é diferente. De fato, o objetivo é melhorar o desempenho, porém, num ambiente específico, o esportivo. O que não significa que o atleta – o cliente da psicologia do esporte – não possa utilizar os recursos aprendidos em outras situações.

Uma das maneiras de melhorar o desempenho é através de técnicas que podem ser ensinadas. Segundo Kerbauy (1997), na abordagem comportamental é fundamental o papel de educar. Os aspectos educacionais de instalação e manutenção do comportamento são exercidos ao se prescrever tarefas. Uma das principais queixas de técnicos e atletas é a dificuldade em transpor o desempenho dos treinos para as competições (Martin, 2001). O psicólogo do esporte constrói programas, com diferentes tarefas, para auxiliar a instalação de repertórios comportamentais necessários ao ambiente competitivo (Scala, 2000). Estas tarefas podem ser a utilização de regras (auto-falas) para a melhora de concentração, o uso da imaginação para aumento da discriminação e melhor controle do comportamento, técnicas de relaxamento para controle de ansiedade em situações competitivas, entre outras.  São exercícios adaptados para cada modalidade esportiva, praticados em treinos de tal forma que sua utilização seja incorporada naturalmente nas situações competitivas. É quase como um trabalho de prevenção.

Gostaria de enfatizar, porém, o trabalho anterior à aplicação de programas. Um trabalho que cabe exclusivamente ao psicólogo, já que a aplicação de técnicas podem ser ensinadas pelo treinador ou pelos próprios atletas.

A meu ver, o psicólogo do esporte, deve auxiliar o atleta a entender a situação da qual faz parte, esclarecendo aspectos específicos do que implica em ser atleta e as consequências decorrentes desta escolha.

Os treinamentos competitivos se iniciam muito cedo. São poucos os atletas infanto-juvenis que já fizeram suas escolhas. E a maioria treina sem conhecer suas alternativas. Ou seja, não sabem se treinam para virar profissionais, campeões em suas categorias ou simplesmente para se divertir e encontrar amigos. E, de fato, não importa o que o mantém treinando, desde que compareça aos treinos ciente de sua escolha. Pois decorre desta escolha, compromissos e empenho diferentes em relação ao treinamento e consequentemente ao resultado. O atleta deve entender que se seu compromisso é diversão, dificilmente poderá ter resultados semelhantes do atleta que se compromete a ser campeão. Caso contrário, sofrerá. Auxiliar o atleta a entender o que o mantém treinando, através de uma análise clara da situação, permite menos comparação com os pares e portanto, menor sofrimento.

Temos de considerar também as características físicas, as habilidades já desenvolvidas, a história de aprendizagem em relação ao esporte, além do empenho e compromisso. Treinamentos iguais para diferentes atletas, não significam resultados iguais. Levar em conta estes fatores permite uma análise adequada de resultados e novas escolhas.

Por exemplo, num campeonato aberto de tênis, vemos tenistas com diferentes características jogarem entre si. Em geral, os melhores vencem, o que não significa que quem perdeu jogou mal, mas sim que suas condições são outras. É importante que os atletas sejam capazes de perceber estas diferenças, para que em caso de derrotas sucessivas, o esporte não se torne aversivo.

Uma análise baseada somente nos resultados pode direcionar o trabalho do psicólogo do esporte para a aplicação de técnicas, que não são suficientes para melhorar o desempenho. É necessário que se faça uma análise do comportamento do atleta em situações de treino e competições para, então utilizar o programa de melhora de desempenho de maneira eficiente. Vejamos algumas destas análises.

Trabalhei com uma tenista que treinava muito bem, mas nas competições não tinha bons resultados. Observando a situação, percebi que era sempre o pai, quem a levava às competições e que durante os jogos, ela ficava muito preocupada com o pai na arquibancada, sua aprovação ou críticas. Uma análise superficial levaria a crer que o problema desta atleta era a concentração. Segundo Weinberg e Gould (1996) concentração é a capacidade de colocar a atenção no que é relevante para a tarefa que se realiza. Nideffer (1976) diz que não há uma variável mais central para o desempenho do que a habilidade para direcionar e controlar a própria atenção. No caso do tênis, o foco relevante é a bola. De fato, a tenista não estava concentrada, pois sua atenção estava no pai. Não é incomum que atletas se distraiam com a torcida. Um trabalho possível é treinar comportamentos para colocar o atleta em contato com estímulos discriminativos relevantes do  jogo. Neste caso, porém, o psicólogo observou que os reforços não estavam no jogo, mas na aprovação do pai. No entanto, em busca de aprovação paterna durante a partida, a atleta perdia o foco principal, a bola, o que a fazia errar. Ao errar, perdia a aprovação do pai. Ela estava num ciclo sem saída:

Jogava para ter reforço (aprovação do pai) Concentrava-se no pai não na bola Errava Pai brigava (perdia reforço)

Destaco este exemplo para mostrar a importância de o atleta entender o que o mantém treinando. E da diferença do papel do psicólogo, como um analista de comportameto e não mero aplicador de técnicas. Sem esta análise, o trabalho com esta tenista seria em cima da concentração, ensiná-la a olhar para a bola. Treino que seria pouco eficiente, já que ela não obtinha reforços naturais com este esporte.

Vejamos outra análise:

Tenista de 12 anos havia participado de terça-feira a sábado, de um campeonato brasileiro, na sua categoria, chegando à semi-final. No domingo foi jogar outro campeonato, não muito importante, só porque já estava inscrito. Jogou contra um adversário inferior e perdeu. Ao discutirmos o jogo, sua análise e a do pai, que o havia acompanhado, é de que ele perdeu porque ficou nervoso. Eles porém, não haviam feito uma análise completa da situação, estavam olhando só para o final do processo. A situação foi de jogos exaustivos ao longo da semana, além da preocupação que o atleta estava em recuperar o conteúdo das aulas que não tinha assistido na escola em função do campeonato. Aliado a isto, o jogo no domingo foi em uma cidade próxima à sua, o que o fez ter que acordar mais cedo e viajar. O que se pode concluir, é que o atleta estava cansado, o que o fazia chegar atrasado nas bolas e errar. Ao errar bolas fáceis, ficou nervoso. Então, ele não perdeu o jogo por estar nervoso, mas sim por estar cansado. Sem esta análise, o trabalho poderia ter se baseado em técnicas de relaxamento para lidar com a ansiedade. Antes, porém de aprender a relaxar, o atleta precisa melhorar suas discriminações proprioceptivas, que darão dicas de como ele está durante uma partida, para que escolha técnicas adequadas à situação. O psicólogo pode ajudar fazendo perguntas e dando condições de o atleta discriminar as contingências, o que permite melhores escolhas no calendário de competições e organização do treinamento.

Estes dois exemplos nos mostram um trabalho de autoconhecimento. Isto é, dar condições de os atletas descreverem seu comportamento, o ambiente em que ocorre e suas consequências. Diz Skinner (1974) que o autoconhecimento é uma prática humana, que nós, além de sermos afetados pelas contingências de reforço, passamos a analisá-las.

No esporte, o ambiente social que permite este autoconhecimento tem características específicas e regras próprias. O psicólogo do esporte, como comunidade verbal, que faz perguntas, pode auxiliar o atleta nesta compreensão. Segundo Skinner (1974) uma pessoa que se tornou consciente de si mesma, através de perguntas que lhe foram feitas está em melhor posição de prever e controlar seu próprio comportamento. E portanto, no caso do esporte, de ganhar.

Continuando no tênis, vejamos mais uma situação. Uma ótima tenista quer parar de jogar, pois diz que não sabe se gosta. Sua história recente mostrava que tinha sido revelação infanto-juvenil e  por seus resultados foi convidada a treinar e participar do circuito profissional. Para tal mudou de cidade e treinava individualmente muitas horas por dia. Morava perto da academia e tinha poucos amigos. Como ainda era jovem e inexperiente para os jogos do circuito profissional, raramente vencia. Seu técnico avaliou que ela perdera a confiança. Skinner (1974) fala que um tenista tem confiança porque pratica suas jogadas até uma proporção em que são bem-sucedidas. Diz ainda que é o reforço frequente que origina e mantém o interesse por aquilo que a pessoa está fazendo.  Esta tenista perdera todos os reforços. Estava longe da família e dos amigos, só treinava e não obtinha bons resultados. O tênis não só deixou de ser reforçador em relação aos resultados, mas também retirou os outros reforços que tinha em sua vida. Por esta análise, pode-se fazer um novo arranjo de contingências que permitam mais reforçadores. E de fato, após intervenção do psicólogo, a atleta foi treinar em uma academia com outros jogadores de sua idade e também passou a jogar torneios do circuito profissional, em que normalmente era derrotada e também do circuito infanto-juvenil, aos quais vencia. Ela não parou de jogar, pois o tênis voltou a ser fonte de reforços.

O trabalho do psicólogo do esporte coincide muitas vezes com o papel do terapeuta, ao criar condições do atleta discriminar contingências de reforçamento. A elaboração dos programas para melhorar o desempenho esportivo dependem de observação e análise. Os resultados obtidos pelos atletas em competições servem como dados que permitem novas análises e conclusões. É possível acompanhar os atletas ao longo do tempo, como nos casos de pesquisa com sujeito único, formulando questões e buscando respostas que irão aprimorar os programas existentes.

Mais do que um aplicador de técnicas, o psicólogo do esporte, analisa comportamentos e sua função, dentro do ambiente esportivo, dando condições para discriminações mais apuradas e portanto melhores resultados.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Kerbauy, R.R. (1997). Contribuição da Psicologia Comportamental para a Psicoterapia. Em Maly Delitti (org.) Sobre Comportamento e Cognição: a prática da análise do comportamento e da terapia cognitivo-comportamental (pp.1-7) Santo André: ARBytes.

Martin, G. (2001). Consultoria e Psicologia do Esporte: orientações práticas em análise do comportamento. Campinas: Iaccamp.

Nideffer, R.M. (1976). Test of attentional and interpersonal style. Journal of Personality and Social Psychology, vol.34 (3), 394-404 .

Scala, C.T. (2000). Proposta de Intervenção em Psicologia do Esporte. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, vol.II, n.1, 53-59.

Skinner, B.F. (1974). About Behavior. New York: Alfred A. Knopf .

Weinberg, R.S. e Gould, D. (1996). Fundamentos de Psicología del Deporte y el Ejercicio Físico. Barcelona: Editorial Ariel.

 

 
 
     
 

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